terça-feira, 7 de maio de 2019

O Significador de Ofício nas Natividades

Há um bom tempo já reservava em minha mente a vontade de abordar o tema dos planetas significadores de ofício e das profissões nas natividades. Eis que chega o momento de dissertar sobre o assunto com a atenção merecida.
Tradicionalmente, e isto remete aos postulados de Ptolomeu e Valens, somente três planetas podem ser tomados como significadores de ofício nas genituras. Mercúrio, Vênus e Marte são estes astros e cada um dos três planetas governa um grande grupo de atividades laborais, conforme abaixo discriminado:

Mercúrio: todas as atividades profissionais que tenham em sua centralidade o exercício da mente e do intelecto. Exemplos: astrólogos, professores, contadores, burocratas e advogados.

Vênus: todas as atividades profissionais que utilizem os sentidos humanos como veículo de sensibilidade, para si ou para outrem. Exemplos: músicos, pintores, massagistas, cozinheiros e prostitutas.

Marte: todas as atividades profissionais que utilizem o corpo físico e a sua energia prática para o exercício do trabalho. Exemplos: militares, policiais, bombeiros, atletas e mecânicos.


Existe uma infinidade de profissões regidas por cada um dos três planetas significadores de ofício. Os demais planetas acrescentam qualificação à profissão do indivíduo, podendo realizar combinações singulares ou múltiplas com o planeta significador profissional da carta. Os próprios planetas significadores de ofício também podem combinar seus significados essenciais e representar profissões correlatas a tal combinação. Vamos identificar alguns exemplos:

Mercúrio-Saturno - inclina ao trabalho com burocracia ou tecnocracia, para o Estado ou junto a autoridades. Se houver disposição favorável na carta, pode indicar a predisposição para o nativo estudar Astrologia e praticá-la profissionalmente.

Vênus-Júpiter - denota as atividades profissionais agradáveis e rentáveis, quando bem disposta a configuração. Pode representar uma lucrativa empresa de estética ou um restaurante. Se Júpiter for dominante, pode indicar o ensino de artes.

Marte-Sol - a dupla energia quente e seca favorece o trabalho com ferro. Se a configuração for afortunada e houver indicação de carreira militar, o nativo pode chegar a elevadas patentes ou ser assistente direto de figuras detentoras de autoridade e poder.

Mercúrio-Vênus - uma combinação que não raramente indica qualidades e práticas artísticas ao nativo. Se Mercúrio for dominante, o ensino de alguma arte pode ser denotado. Se Vênus preponderar na configuração, pode representar um artista que domina técnicas específicas, caso típico de um músico especializado em uma instrumentação musical específica.

Mercúrio-Marte - a configuração destes dois planetas, quando bem disposta, pode fomentar o raciocínio lógico e inclinar o nativo às ciências exatas. Em aflição, pode significar trapaceiros e enganadores, aqueles que ludibriam os outros pela fala ou violência. Pode significar vendedores, comerciantes itinerantes em sua jornada laboral.

Vênus-Marte - esta combinação pode agregar movimentação e atividade física ao ofício venusiano. Pode representar a figura de um massagista ou de uma bailarina, se Vênus for dominante e a configuração estiver afortunada. Causando aflição a Vênus, Marte pode significar prostituição e violência agregada. Em posição dominante na combinação, Marte pode simbolizar o atleta com belos movimentos, que agrada os sentidos do público.

Em muitos casos, ocorre literalidade entre a correspondência das configurações planetárias do mapa natal e a profissão exercida. Marte em um signo de terra pode significar um militar de infantaria. Em signos de água, oficiais da marinha ou atletas da natação. Mercúrio em signos de ar está muito ligado ao ensino, a fala e a escrita. Em signos de fogo, pode representar com maior propriedade uma mente hábil na arte de calcular.
Mas, como tudo em Astrologia, este caráter literal está muito distante de se dispor com perfeição na maior parte das natividades. Primeiramente, devemos lembrar que diversos fatores no mapa natal podem influenciar a seara profissional. A existência de planetas angulares, por exemplo, pode trazer distorções e informações muito importantes sobre este tema natal, como veremos a seguir. Além disso, devemos ter ciência das dimensões determinista e possibilista da Astrologia e do seu princípio de obediência à realidade. O contexto familiar e social do indivíduo deve ser avaliado sempre, assim como a própria vontade exercida pelo nativo, que funciona como a própria expressão do possibilismo diante das determinações impostas a sua existência.
Cientes de todas estas variáveis, cabe agora identificar o planeta significador profissional da carta natal. A regra geral manda verificar se Mercúrio, Vênus ou Marte estão em uma casa angular, ocorrendo a preferência, primeiramente pela casa X, depois pelo ascendente, descendente e, por fim, pelo fundo do céu. Pode haver a presença de dois significadores de ofício em casas angulares, assim como nenhum deles pode estar disposto em um dos ângulos natais. Nestes casos, devemos recorrer às casas sucedentes, iniciando a busca pela casa XI.
Em muitas natividades, há mais de um planeta significador de ofício destacado. Em outras tantas, não há claro destaque. Quando dois planetas distintos ocupam fortes posições no tema natal como significadores profissionais, é provável que o nativo desenvolva duas atividades laborais completamente distintas ao longo da vida, concomitantemente ou isoladamente, em épocas diversas em sua existência. Quando todos os significadores de ofício estão muito fracos e afligidos, é possível que se trate de uma natividade que esteja mais inclinada ao ócio e a trabalhos efêmeros.
Existem algumas regras tradicionais que ajudam a identificar o planeta significador profissional da natividade. Como já afirmei, mais de um planeta pode receber destaque e mais de uma profissão, de natureza distinta, poderá prosperar. O planeta que aparecer como resposta positiva na maior parte das questões provavelmente será o senhor do ofício da natividade. Segue abaixo os critérios que julgo como mais importantes:

1 - O planeta está em uma casa angular ou sucedente;
2 - O planeta é o astro oriental ao Sol que faz a última aparição antes do amanhecer, sem estar combusto ou sob os raios do luminar diurno;
3 - O planeta recebe a aplicação da Lua com maior perfeição;
4 - O planeta é regente do meio do céu da carta;
5 - O planeta aspecta o meio do céu do mapa natal com maior exatidão;
6 - O planeta forma relação de angularidade com a Parte da Fortuna;


Estes são os principais. Existem outros critérios que também podem ser agregados à análise, como o aspecto com o Sol e o contato com o lote que é análogo ao luminar diurno, que é a Parte do Espírito. É praticamente impossível que um planeta atenda a todos os critérios, mas estes elementos norteadores auxiliam o astrólogo neste processo de seleção. Muitas vezes isto é bem simples. Se um dos planetas significadores de ofício está em seu próprio domicílio, rege e ocupa a casa X natal, a escolha já recai sobre este astro e o que resta é verificar se outro planeta se destaca, para qualificar a profissão identificada ou para sinalizar uma segunda atividade profissional ao nativo.
Mas, e se um planeta que não for significador profissional aparecer fortificado na casa X natal, caso dos luminares, de Júpiter e Saturno? Se estes planetas estiverem nas suas próprias dignidades, concederão elementos fundamentais para o desenvolvimento da vida profissional do nativo, bem como, características elementares da profissão que será exercida. É notório que a presença de Júpiter, principalmente no meio do céu e no ascendente, é indicadora de indivíduos que se destacarão no ensino, no pensamento, na magistratura e na política. Saturno fala a favor de cientistas diversos no ascendente e no meio do céu e de proprietários de imóveis, terras e agricultores quando colocado na casa IV, principalmente.

Para facilitar a didática, vamos a um exemplo prático. A natividade é do sexo feminino e o seu mapa natal está colocado logo abaixo:




A nativa possui o ascendente em Virgem. Mercúrio, planeta regente do ascendente, está colocado em Escorpião, na casa II natal. Não existem planetas colocados nas casas angulares do mapa natal. Todos os planetas estão em casas sucedentes ou cadentes. Mercúrio é o astro significador de ofício que está oriental ao Sol. Todavia, está combusto. O próximo planeta que receberá a aplicação da Lua é Júpiter, que está posicionado no signo de Escorpião, na terceira casa do mapa natal. Mercúrio é o planeta regente do meio do céu da carta e não aspecta este ângulo. Por signos inteiros, a décima casa é aspectada através de um trígono por Saturno. A Parte da Fortuna está posicionada no signo de Capricórnio, na casa V e Marte lhe aplica conjunção. Marte ganha poder e força como se fosse um planeta angular. Marte dispõe de Mercúrio, planeta regente do meio do céu. Marte está no signo de sua exaltação e ocupa os termos de Mercúrio. No domicílio e nos termos de Marte, Mercúrio se separa do pequeno maléfico através de um sextil, que conecta suas luzes e seus temas.
Após esta sintética análise, pelos testemunhos concedidos pelos significadores pertinentes, a eleição do significador de ofício recai sobre Marte na natividade em estudo. Marte está em conjunção à Parte da Fortuna, no ascendente do mapa derivado a partir deste lote hylegíaco, ganhando muito poder na carta. Marte está em aspecto com o planeta regente da casa X, que é Mercúrio, que é recebido pelo pequeno maléfico no seu domicílio, em Escorpião. Marte governa, ainda, o décimo primeiro lugar a partir da Parte da Fortuna, que recebe o nome de Local da Aquisição, de acordo com Valens.
Marte tem Mercúrio como o seu principal assistente para representar a profissão da nativa. O meio do céu da carta está colocado em signo bicorpóreo, o que já indica a possibilidade de exercício de mais de uma atividade profissional ao longo da vida. Marte fala dos cirurgiões e aliado a Mercúrio pode agregar alguma técnica, inclusive médica. Mercúrio e Marte se recebem por termos. Mercúrio deseja ser mais incisivo e Marte, mais técnico e minucioso. A nativa é cirurgiã dentista, com mestrado na área. Todavia, por razões de remuneração e estabilidade, acabou por desempenhar outra atividade profissional após alguns anos de sua formação.
Um dos aforismos do Centilóquio de Hermes reputa a Marte em Capricórnio o deleite pelo derramamento de sangue. Em cirurgiões isto é mais do que apropriado. Mas outras profissões recebem esta conotação com maior propriedade. A nativa, após prestar concurso público, ser nomeada e empossada, desenvolve a atividade de perita criminal. O trabalho consiste em comparecer em cenas de crime, como suicídios, homicídios, acidentes de trânsito, incêndios, desabamentos, dentre outras catástrofes com vítimas ou dano ao patrimônio público. Este trabalho exige um extremo rigor técnico e perpassa por um curso de formação extenso, exaustivo e exigente, de caráter classificatório e eliminatório. O exame psicotécnico é extremamente duro e elimina muitos postulantes ao cargo.
A atividade profissional é essencialmente marcial, prática e exige bom condicionamento físico, com o imprescindível lastro de preparo técnico, tipicamente mercuriano. O locus profissional oscila entre o sanguinário ambiente marcial, muito bem representado pela figura de Marte no signo de Capricórnio e pelo componente investigativo do trabalho analítico das provas coletadas, devidamente simbolizado por Mercúrio, no silente e sigiloso signo marcial de Escorpião.
Esta é a minha contribuição para a identificação e análise do planeta significador de ofício e da profissão nas natividades. O tema é extenso e sempre há muito o que exprimir. Cada carta natal revelará meandros e particularidades próprias sobre a esfera profissional do nativo, que sempre devem ser contextualizadas dentro do amplo espectro de realidade vivenciado pelo indivíduo. Até breve leitores!


quinta-feira, 21 de março de 2019

O Ingresso Solar em Áries em 2019

Ontem, no dia 20 de março, às 18h58min, ocorreu o início do ano astrológico com o ingresso do Sol no signo de Áries. A carta de ingresso, para Brasília-DF, apresenta o ascendente no signo de Libra, nos termos de Mercúrio. Um signo cardinal no ângulo leste do tema mundano acena para a necessidade de analisar as cartas de todos os ingressos equinociais e solsticiais do ano.
Vênus, planeta regente do ascendente, está posicionado na casa V da carta de ingresso solar, no signo de Aquário e nos termos de Marte. Vênus se aplica por quadratura a Marte, que ocupa o signo de Touro, na casa VIII. Esta configuração não é positiva para os rumos do país. Ainda que Marte ocupe um signo de Vênus, não há recepção configurada.
Marte rege a casa VII e poderá ocorrer litígios com o exterior. A má relação do senhor do ascendente da carta com o planeta regente da casa VII pode abalar relações diplomáticas, comerciais, militares e geopolíticas com outros países. Marte também rege a casa II e, através da relação aflitiva formada com Vênus, mostra má gestão dos recursos do país. A sua colocação na casa VIII não é favorável à Economia e testemunha favoravelmente ao endividamento e dilapidação dos recursos do país.
Saturno está colocado na casa IV da carta de ingresso solar. Assim como ocorreu no mapa de ingresso solar no signo de Capricórnio em dezembro de 2018, Saturno aparece em uma casa angular e é, por este testemunho, o planeta mais forte da carta. A sua potencialidade, contudo, é menor do que aquela que fora assinalada para o período anterior, quando ocupava exatamente o ângulo descendente do tema mundano.
Na quarta casa da carta e em conjunção com o nodo sul, no seu próprio domicílio no signo de Capricórnio, Saturno testemunha contrariamente à produção agrícola. O período poderá ser marcado por secas e outros fatores ambientais que diminuam as atividades produtivas no campo. Saturno envia uma quadratura em direção à casa VII e à Parte da Fortuna, que estão no signo de Áries, a sua queda. As relações comerciais poderão ser prejudicadas pela materialização de eventos assinalados pela sua natureza fria e seca.


A casa IV representa os partidos e figuras de oposição ao governo instituído. A oposição que Saturno lança em direção à casa X da carta de ingresso solar, cujos raios caem no signo de Câncer, local de seu exílio, a partir de sua posição em seu próprio domicílio e em casa angular, assinala o processo de endurecimento da oposição ao governo. A aprovação de reformas podem se tornar mais difíceis e desgastantes a quem detém o poder, cabendo diversas concessões para concretizá-las. A Lua, planeta regente da casa X, ocupa a casa XII desta carta mundana, fora de curso. O testemunho lunar denota enfraquecimento e perda de popularidade e autonomia para o governo.
No momento em que escrevo, são publicadas diversas notícias sobre a prisão do ex-presidente Michel Temer. A presença da Lua na décima segunda casa da carta de ingresso solar, com poder de regência sobre a casa X, testemunha sobre a queda de figuras de popularidade e poder, com possibilidade de encarceramentos. Novas prisões relevantes podem ocorrer durante o período.
A Lua é um significador essencial do povo. A posição deste luminar na casa XII é debilitante e aflitiva para a nação brasileira. A colocação de Vênus, senhor do ascendente e representante dos rumos do país nos próximos três meses em configuração aflitiva com Marte, corrobora com a mesma sorte para os temas nacionais. Mercúrio, senhor dos termos do ascendente, posicionado na casa VI, retrógrado, em detrimento e queda, não agrega elementos que contraponham aos testemunhos anteriormente citados.
Júpiter aparece na casa III, no seu próprio domicílio, no signo de Sagitário e em sextil ao ascendente da carta. Podem ser implementadas melhorias que beneficiem o país em seus sistemas de comunicação, viário e de transportes.


terça-feira, 19 de março de 2019

Marte Ataca!

Desde alguns anos atrás, antes de iniciar o período que vivenciei a partir do meu aniversário de 2018, eu já estava vigilante e apreensivo diante das configurações astrológicas que ganhavam muito poder em minha natividade. Em 2016 iniciava para mim a Firdaria de Marte, planeta que está domiciliado no signo de Escorpião na carta natal, mas que é também um maléfico que possui regência sobre a casa XII e que está unido por conjunção a Saturno, outro significador essencialmente maléfico, e oposto à Parte da Fortuna.


Em 2018 a Profecção do signo ascendente chegava ao signo de Escorpião, elevando Marte à condição de planeta regente do ano. No mapa de Revolução Solar correspondente, Marte aparecia exatamente na cúspide do meio do céu, no signo de Sagitário, correspondendo à casa XII natal.
Marte, então, já acumulava três poderes. Era o senhor do período maior da Firdaria, o planeta regente do ano pela Profecção do ascendente e o planeta mais angular e poderoso da carta revolucional. Marte acumularia ainda uma quarta força, pelo fato de ser o senhor dos termos do ascendente dirigido através das Direções Primárias. Um prato mais do que cheio para um planeta atualizar as suas promessas natais e materializar eventos durante o seu período de domínio.
O astrólogo, quando olha o seu próprio mapa natal, sempre está com a mente recheada de vícios. Não há como ter um grau pleno de distanciamento para realizar uma interpretação e elaborar predições com a serenidade e a fidedignidade que lhe são necessárias. Todavia, sempre experimentamos com nossas natividades, é inevitável. O ideal, e isto vale para qualquer profissional, é procurar o auxílio de outro profissional que possa agir com isenção e sem conexão emocional com a nossa natividade. Os médicos devem ir ao médico. Os advogados devem procurar um advogado. Com os astrólogos não é diferente.
Mas, a despeito disso, somos artistas de nossa ciência e sempre vamos enxergar eventos, ainda que desprovidos da perfeição. Estando ciente de que Marte é um significador essencialmente maléfico, que rege uma casa maléfica e que está unido a outro planeta maléfico, fica clara a sua predileção por materializar eventos cujo adjetivo cabível é no mínimo o desagradável. O bom estado celeste de Marte promete resolução das contendas, após a instauração dos momentos mais problematizadores.
O primeiro evento materializado pelo pequeno maléfico, que ocorreu em consonância à entrada de Saturno no signo de Capricórnio, o ascendente natal, recebendo a configuração de uma conjunção corpórea de Marte, foi a quebra surpreendente de um dente molar. Bem literal para uma conjunção das duas infortunas no ascendente saturnino. O evento causou incômodos e dores durante todo o período devido às dificuldades em me afastar do trabalho para realizar a extração dentária. Foram necessários medicamentos opioides.
E o tal de 2018 se seguiu. Em férias, no final do mês de maio, eu praticava ciclismo em uma ciclovia recém inaugurada. Experiente, com centenas de quilômetros pedalados, não percebi nenhum risco. Um aclive e um desnível na nova pista combinados à moderada velocidade que desenvolvia na prática esportiva foram suficientes para me derrubar e danificar e muito o meu braço direito. Curativos, costela trincada e muita dor por um mês na volta ao trabalho. Não parei, contudo. A angularidade de Marte, planeta regente do ano, era um significador que sinalizava positivamente para a ocorrência de acidentes, resgatando a sua promessa natal de perigos nos deslocamentos.


O período também trouxe a exacerbação das enfermidades, conforme poderia ser esperado através do processo de potencialização do planeta regente da casa XII natal. Determinado à casa X radical pelo aspecto de sextil que lança à cúspide desta casa e pela luz desafiadora da quadratura aplicada por Mercúrio, planeta regente da casa X natal e posicionado no meio do céu do mapa revolucional, Marte testemunhava fortemente sobre a carreira. A época foi marcada pelo maior empregamento de energia na carreira. Também sinalizou o comportamento mais despojado e arriscado, que se manifestou através de uma postura mais enfática no ambiente de trabalho. O teor de agrado não foi unânime e os frutos da antipatia causada pelas minhas atitudes, por vezes incisivas, também foram semeados nesta época.
Um significador que merece atenção especial para a análise neste período é Vênus, planeta que governou o subperíodo da Firdaria. A despeito da ausência de aspecto ptolomaico no mapa natal, Vênus e Marte formavam quadratura no mapa revolucional, unindo as luzes dos dois senhores da Firdaria. Vênus é o planeta benéfico menor e a sua natureza essencial é oposta a Marte. Dentro das possibilidades de seu estado cósmico, Vênus representa oposição à agenda marcial. Com menor dignidade e autonomia no tema natal e com poder terrestre inferior na carta revolucional, Vênus não representou o impedimento da progressão dos males marciais, embora possa ter trazido uma grau de suavização para os eventos vivenciados. Vênus é o planeta regente da casa VI natal e sobre o tema das doenças uniu testemunhos a Marte, ainda que com uma conotação mais doce e supostamente inofensiva sob um prisma mais superficial de análise.
A grande lição que quero externar sobre este relato pessoal remete à potencialidade que um planeta possui para significar a materialização de eventos quando está ativado simultaneamente em diversas técnicas preditivas. A natureza, a qualidade e a grandeza destes eventos deve ser aferida a partir do estado cósmico e da determinação natal do planeta ativado, somados à análise do estado e disposição geral deste planeta na carta revolucional.
Vênus e Júpiter tem predileção para materializar agradáveis temas e eventos. Marte e Saturno, ainda que estejam determinados às boas casas da figura natal, tem afinidade natural com assuntos e acidentes de caráter desagradável. A mera relação, por posição, regência ou aspecto de Marte ou Saturno às más casas da natividade abre a possibilidade para a geração de seus assuntos. Da mesma forma, os dois planetas maléficos encontram afinidade com os maus assuntos acidentais de casas afortunadas. Contrapondo tal natureza, Vênus e Júpiter se conectam com facilidade aos bons temas acidentais das casas desafortunadas. Se possível, dado o seu estado cósmico natal e revolucional, representarão suavização ou livramento diante dos males mais severos da vida. Aqui, uma lógica bem moriniana.
Conforme já abordei aqui no blog, a Astrologia está permeada pelas dimensões do determinismo e do possibilismo. Sabido isto, deve se ter ciência de que a Astrologia está subordinada à realidade, em todas as esferas. De posse do conhecimento astrológico, ainda que parcialmente nublado pelas distorções próprias de uma autoanálise, procurei não me envolver em atividades de maior risco. Ainda que tenha cometido alguns excessos pessoais, os moderei logo que possível, diante do conhecimento dos ventos sob os quais estava determinado. Não pude evitar tudo. Sempre temos uma casa XII que não vislumbramos tão bem. Mas o ensaio vale a pena. Talvez nunca tenhamos a plena ciência dos maiores males que conseguimos afastar com nossa atitude pessoal permeada da maior correção e nem das maiores benesses que atingimos através de posturas pessoais de igual valor e consciência. Voltaremos a falar muito em breve da aplicação das técnicas preditivas, da previsão de eventos para as natividades e sobre o encaixe destas predições nos espectros determinista e possibilista da Astrologia, aplicados sempre ao plano real de vivência mundana.


domingo, 10 de fevereiro de 2019

O Poder da Astrologia Horária

O ramo natal da Astrologia certamente é um dos mais apaixonantes. Certamente, pela capacidade de dissecar a existência humana em todas as suas esferas e nas três dimensões temporais. Contudo, é a Astrologia Horária que se destaca pela sua natureza sintética, objetiva e precisa, pronta para atender aos mais diversos problemas vivenciados por qualquer querente.
Na sexta-feira tomei a liberdade de lançar uma autoquestão, em um momento de dúvida e aflição. Se tratava do desaparecimento de minha gata, que já tem 20 anos de idade e experimenta com ênfase as debilidades físicas de sua velhice. Perguntei, então, onde estaria ela, fazendo menção ao seu nome. A questão foi lançada às 15h25min, hora local.
O mapa apresentava o ascendente no signo de Gêmeos. Vênus era o planeta regente da hora. Embora considere a natureza essencial de Vênus como fria e úmida, existe a divergência de pensamento entre diversos autores e muitos a classificam como planeta quente e úmido. Por concordar em compleição humoral com o signo ascendente, julguei o mapa como radical e passível de julgamento.
Mercúrio, planeta regente do ascendente, estava no signo de Aquário, na casa IX, nos termos de Saturno e combusto pelo Sol. Não aspectava o ascendente por angulação ptolomaica. A Lua, meu co-significador, estava posicionada no signo de Áries e aspectava o ascendente a partir de um sextil, possuindo maior propriedade para me representar na carta horária.
Marte era o planeta regente da casa VI e representava a gata de estimação perdida. Marte estava em Áries, nos termos de Saturno e na casa XI da figura. A posição do planeta regente da casa VI em domicílio acenava que ela havia se deslocado por conta própria e não havia sido levada por terceiros. A presença do significador do animal de estimação na casa XI, templo de Júpiter, forte e livre de maiores aflições, testemunhava a favor de que a gata estaria viva.


Áries fala de ambientes quentes e secos, como solos e demais estruturas aquecidas, com possibilidade de terem sido movimentados ou edificados recentemente. Em um sentido ainda mais interessante, os signos nos apontam as direções geográficas de localização do objeto pertinente à questão levantada.
Os signos de fogo estão ligados, de um modo geral, à direção leste. O primeiro grau de Áries representa o ponto cardeal leste. À medida que estes grau avançam, rumamos ao ponto subcolateral leste-nordeste. O ascendente representa a direção leste com a maior propriedade possível. O meio do céu indica a direção sul. A presença de Marte na casa XI mostrava que a gata poderia estar na direção sudeste de mim. Combinada com a posição de Marte, planeta regente da casa XI, em Áries, nos graus finais do signo, temos uma resultante final que aponta invariavelmente para o quadrante leste, a partir do local que realizei a questão.
Marte, planeta regente da casa VI, está em signo cardinal e em casa sucedente. Este testemunho combinado pelo signo e pela casa astrológica denotava que a gata não estava muito distante de casa. A posição do significador da questão em signo móvel acena para a possibilidade do animal de estimação estar em um local que possua muito movimento. Áries fala de ambientes não frequentados usualmente.
Ontem, um pouco mais de 24 horas após o levantamento da questão, a gata foi encontrada. Moro em uma avenida perimetral, dividida por um arroio de porte médio e canalizado. Ela estava na porção seca do canal, sobre pedras e relva exposta ao Sol. A via é extremamente movimentada. A gata estava realmente ao leste de onde levantei a pergunta, que era a minha residência. A localização mais precisa levava à direção leste-nordeste, estando mais afinada com a posição celeste de Marte, planeta regente da sexta casa da figura horária.
Este caso breve e particular foi de muita valia para asseverar o poder e a acurácia da técnica horária da Astrologia. Embora o evento vivido não tenha sido agradável, a questão acabou sendo respondida a contento, com o bom desfecho do reaparecimento do animal de estimação, ainda que o objeto da pergunta tenha se restringido apenas a sua localização.


sábado, 2 de fevereiro de 2019

Astrologia: Realidade, Determinismo e Possibilismo

Um interessante tema que merece a atenção de todos os astrólogos é a celeuma que envolve as dimensões determinista e possibilista na Astrologia. O primeiro princípio que devemos nos ater é de que a ciência astrológica representa e obedece à realidade. Logo, e aqui me refiro especialmente ao ramo natal da Astrologia, os mapas astrológicos espelharão realidades completamente distintas se estivermos analisando natividades pertencentes a conjunturas sociais e culturais dicotômicas, com as suas implicações econômicas próprias.
O mapa natal de um indivíduo que nasce em um país escandinavo não revelará manifestações semelhantes no plano real em comparação àquela carta natal idêntica e que espelha a natividade de um ser humano que nasceu em um país repleto de pobreza e desigualdades sociais. O próprio contexto socioeconômico mais íntimo do nativo que possui o seu mapa natal analisado precisa ser desvendado para que a interpretação astrológica possua maior grau de fidedignidade, ainda que já esteja definido o contexto social maior ao qual o indivíduo está subordinado.
A dimensão temporal e mundana se sobrepõe às particularidades natais. Logo, não é de se esperar as mesmas manifestações nos nativos que viveram em épocas distintas, com recursos tecnológicos totalmente diversos. Os grandes movimentos mundanos, que conduzem aos períodos de abundância, escassez, paz ou guerra ocupam uma esfera superior em poder e as natividades estarão determinadas ao seu contexto histórico próprio, seja por eventos naturais ou produzidos pelas sociedades através dos tempos.
Até aqui já vislumbramos a subordinação da Astrologia à realidade e as grandes determinações sob as quais todo o conjunto de natividades estará sujeito. As pequenas determinações residem em elementos imutáveis de todo e qualquer mapa natal. Não é possível escolher o corpo físico, suas características fundamentais e o temperamento. A motivação primária de vida e o propósito que temos para a nossa existência também não podem ser alterados. As nossas potencialidades natas, que conduzem à diligência e competência natural em determinadas searas da vida são bênçãos que não podem ser denegadas. As debilidades que possuímos, causando dificuldades na realização ou na vitória sobre determinados problemas específicos da vida são igualmente naturais e impassíveis diante de nossa vontade.
Mas então, onde o possibilismo encontra o seu lugar? Diante do conhecimento revelado pela Astrologia, podemos ser mais conscientes da plena caracterização vital que temos e trabalhar, através de nossas ações e da forma mais positiva possível, a nossa realidade, em conexão com o mundo material e as esferas intangíveis da existência humana
Uma bela promessa natal, sem a aplicação das justas ações por parte do nativo para a sua realização, pode se tornar inefetiva. Não por acaso recebe o nome de promessa. A sua indicação pode ser análoga a de uma imensa reserva de riquezas naturais que podem ser desperdiçadas através dos tempos. A melhor das configurações planetárias em uma previsão é como um vento que sopra forte a favor do nativo. Contudo, se a sua embarcação não estiver preparada, poderá perder tamanhas facilitações proporcionadas pelo destino.
As más sinalizações do tema natal podem ser depreendidas de forma análoga. Uma má promessa não precisa ser uma realização inexorável. Conhecer a raiz de um problema sinalizado por um significador ou por uma determinada configuração aflitiva de múltiplos significadores é salutar para possibilitar a resolução dos problemas assinalados, evitando-os ou mitigando a sua manifestação.
Se existe uma predisposição para que um nativo sofra acidentes, é necessário averiguar em quais circunstâncias estes eventos podem ocorrer e quais seriam as suas causas. O nativo deve ser aconselhado para evitá-las, principalmente quando tais promessas natais encontrem o respaldo e a atualização através das técnicas preditivas.
Enfim, existe uma justa medida entre as dimensões determinista e possibilista na vida de um nativo, materializadas na sua esfera de realidade pessoal. Comparo cada um de nós a um viajante. Não escolhemos o seu corpo ou a sua saúde. A sua mochila vem com determinados tipos de suprimentos, enquanto outros claramente não estão à sua disposição. Ele terá habilidade com algumas ferramentas, em contraponto a outras que desconhece a sua utilização. Se desejar empregar estas últimas, terá de se dedicar para se tornar um aprendiz eficiente. Se quiser conquistar os suprimentos que não possui, terá de se dedicar ainda mais para conquistá-los.
De todo modo, a estrada da vida sempre apresentará bifurcações e possibilidades de escolha. Devemos estar atentos e muito conscientes de nossas decisões para que não repitamos eternamente o nosso padrão de escolhas. O Almuten Figuris revela muito do que está por detrás de nossas decisões. Conhecê-lo em toda a sua complexidade e profundidade é imprescindível para a conscientização acerca do nosso propósito vital e de nossas ações mais importantes ao longo da vida, diante da apresentação dos maiores desafios que irão exigir uma tomada de posição e consequentes decisões.



domingo, 20 de janeiro de 2019

O Eclipse Total da Lua em Janeiro de 2019

Na madrugada da próxima segunda-feira ocorre o eclipse total da Lua, no primeiro grau do signo de Leão. O mapa do evento, levantado para Brasília-DF, apresenta o ascendente no signo de Sagitário. Júpiter é o planeta regente do ascendente e se encontra domiciliado e posicionado na primeira casa da figura, recebendo a aplicação de Vênus. Júpiter governa, ainda, os termos do ângulo ascendente e os termos da posição da Lua, que é o luminar ocultado durante o eclipse.
O evento ocorre no eixo de casas astrológicas III-IX. Os eclipses, quando ocorrem em casas angulares, possuem um maior grau de potencialidade. A presença dos dois planetas benéficos no ângulo ascendente, elevados acima das infortunas, com Júpiter possuindo poder sobre a posição da Lua em eclipse, faz com que o evento possua desdobramentos com contornos menos dramáticos e haja uma salvaguarda diante das dificuldades acenadas.
Na data do eclipse, Marte forma uma quadratura partil com Saturno, sem recepção. Os dois planetas maléficos estão fortes, em seus domicílios. A natureza de ambas as infortunas está exacerbada. Marte está rápido em seu movimento, em sua morada que aguça a natureza quente e seca que possui. Saturno acaba de migrar para o hemisfério oriental, ganha velocidade e poder no domicílio que reforça a sua natureza essencial extremamente fria e seca. As más configurações envolvendo Marte e Saturno sempre alertam para riscos de acidentes e violência de toda a ordem. As aflições envolvendo os dois planetas maléficos denotam possibilidades de abalos estruturais, desde as esferas governamentais de poder, perpassando pelas maiores edificações e obras de engenharia e chegando até a nossa estrutura óssea e dentária.


Na última carta de ingresso solar em Capricórnio, havia a presença de Marte na casa IX, com Saturno ocupando o descendente da figura. A Lua em eclipse se posiciona na casa IX do mapa do evento, levantado para a capital do país. Parece que chegou o momento do ápice das manifestações mais nefastas e escandalosas envolvendo o Poder Judiciário brasileiro. Atentar para os movimentos da Suprema Corte. A posição de Saturno na casa II da carta do eclipse, dispondo de Mercúrio, planeta regente da casa VII, parece ratificar as dificuldades de ordem econômica e de relações comerciais assinaladas na carta de ingresso solar em Capricórnio. Marte, se colocando sobre o décimo signo desta carta mundana, em quadratura com Saturno durante o eclipse, pode levar severos conflitos e dissabores de toda a ordem para o governo.


Em termos pessoais, o eclipse pode ter importância para os nativos que possuem planetas, especialmente aqueles de grande poder de representação na carta natal, nos primeiros graus dos signos de Leão e Aquário. Quando falo de planetas com elevada expressão na natividade, me refiro aos luminares, ao planeta regente do ascendente e ao Almuten Figuris. Se estes planetas estão ativos através da Firdaria, por alguma Direção Primária relevante ou através da Profecção ou Revolução Solar vigente, sendo o planeta regente do ano, por exemplo, há maiores chances do eclipse simbolizar algum evento significativo de ordem pessoal. O planeta afetado pelo eclipse da Lua é influenciado por movimento, atividade e instabilidade. Outros pontos focais e de grande conexão pessoal no mapa natal, como o ascendente, o meio do céu e a Parte da Fortuna, também merecem a devida atenção caso o eclipse atinja estas posições natais por orbe estreita.


quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

A Posse de Jair Bolsonaro

Ontem, dia 1° de janeiro de 2019, às 15h11min, no dia e hora de Marte e sob o horário brasileiro de verão e em Brasília-DF, Jair Messias Bolsonaro toma posse como o 38° Presidente do Brasil. O ascendente da carta é Touro e os demais ângulos da carta são fixos. Conforme o horário e a época do ano escolhidos de praxe para tal cerimônia, não há nenhum testemunho relevante assinalado por esta configuração. Da mesma forma, a posição do Sol, por signo e casa, também é invariável e não deve ser tomada como qualquer espécie de particularidade.
O mapa da posse presidencial apresenta dois planetas angulares. Ambos são os próprios senhores do ângulo ascendente, Vênus e a Lua. Os dois planetas estão em suas debilidades maiores, sendo que Vênus está em exílio e  Lua está em queda. A Lua se aplica a Vênus, que já ocupa os termos de Saturno no signo de Escorpião.
A Lua diminui em luz no signo de sua debilidade. Após completar o último sextil com o Sol, caminha em direção ao final do seu ciclo mensal. O último aspecto que o luminar noturno formou foi com Saturno, um sextil cujos raios lunares caem no local do seu exílio.
O Presidente empossado é representado pelo senhor da casa X. Saturno rege esta casa e está em conjunção com o Sol no signo de Capricórnio, combusto e na nona casa da carta. Saturno, nestas condições, acena para algum grau de dureza e secura do governante. Denota, também, que o Presidente eleito se sente extremamente afinado com o povo, haja vista que o Sol rege a casa IV da carta da posse e representa o povo. O Presidente dispõe deste apoio, que também vem acompanhado de uma pressão incisiva, representada pela figura do Sol. A conjunção formada por Sol e Saturno na carta da posse aspecta por trígono o meio do céu natal de Bolsonaro, que corresponde ao ascendente desta figura mundana. Esta configuração concede poder e autoridade ao Presidente.
Marte ocupa o signo de Áries e está colocado na casa XI, seu domicílio diurno. À medida que avançar por este signo zodiacal, Marte irá se aplicar por quadratura a Saturno, planeta que rege a casa X e representa o Presidente. Marte rege as casas VII e XII e possui uma conexão íntima com inimigos, declarados e ocultos. Marte está no signo da queda de Saturno e deverá haver muito acautelamento por parte do novo Presidente contra a incursão dos inimigos. Estes podem se materializar na figura de chefes de outros estados nacionais, mas também podem povoar os bastidores mais próximos do Poder. Marte tem analogia com os militares, de um modo geral. Bolsonaro deve ser vigilante para com seus assistentes mais próximos e poderosos.


Consoante à carta do ingresso solar no signo de Capricórnio, a Economia não decolará fragorosamente. Mercúrio, senhor dos termos do ascendente, rege a casa II da carta e ocupa a casa VIII, em Sagitário, local do seu exílio. A esperança reside em Júpiter, seu planeta dispositor. Em Sagitário, seu domicílio diurno e ocupando a oitava casa do mapa, Júpiter pode representar algum grau de saneamento de dívidas do governo e melhoria de suas contas. Uma parte dos propósitos nacionais emanados pelo novo governo depende destas medidas. A outra meta é sinalizada pelo planeta regente do ascendente, Vênus. Na casa VII, há a indicação de busca por novos aliados e parceiros comerciais. Ao ocupar o signo do seu exílio, Vênus sinaliza que este processo pode ser frustrado em parte.
O tema natal de Jair Bolsonaro apresenta o ascendente no signo de Câncer, com Júpiter exaltado neste signo e em conjunção ao ângulo ascendente. O Presidente possui o Sol no signo de Áries, exaltado na casa IX. A presença destes dois significadores em exaltação evoca, não sem surpresas, temas religiosos e seus valores análogos com algum grau de exagero. Júpiter é um significador essencial de fé e religiosidade, assim como a casa IX também engloba estes temas. A casa IX é a casa astrológica do júbilo solar e o Sol lá colocado, no signo de sua elevação e com poder regência sobre este setor, traz esta agenda com muita força para o nativo.
Marte rege a casa IX da carta natal de Bolsonaro e ocupa a décima casa, no signo de Touro. Os temas religiosos são levados diretamente para a carreira. Marte é combativo e ao se opor a Saturno o faz de maneira extremamente dura. Cabe ressaltar que a posição angular de Marte é muito comum nas cartas natais das natividades de militares. Júpiter costuma aparecer nos ângulos das natividades de políticos. Bolsonaro possui os dois posicionamentos.


É interessante ressaltar que o ascendente da posse presidencial corresponde ao meio do céu do mapa natal de Jair Bolsonaro. Este testemunho pode acenar para a importância que o Presidente terá para os rumos e história do país. Outro testemunho que vem a denotar a possível singularidade do governante é a presença da Lua, planeta regente do ascendente de Bolsonaro, em conjunção ao ascendente da carta de Independência do Brasil, no signo de Aquário.
Outra correspondência relevante reside no fato do Saturno da carta nacional corresponder ao meio do céu do Presidente e que ascende no momento da posse, o próprio signo de Touro. A tarefa de governar o país será muito difícil. O peso saturnino sobre Bolsonaro aparece também na casa VII do mapa de sua posse, onde existe a correspondência da posição de Saturno natal do Presidente. Esta casa abriga, no mapa da posse, dois planetas debilitados, que são a Lua e Vênus. As relações internacionais, diplomáticas e comerciais serão um desafio a parte e merecerão toda a atenção para que não tomem rumos indesejados. Combinados aos testemunhos assinalados por Marte, podem ser esperados litígios com o exterior. A posição de Marte natal de Bolsonaro no signo ascendente da posse presidencial fará com que o Brasil adquira uma imagem mais bélica perante o mundo sob a égide do novo líder.
A conjunção formada pelo Sol e Saturno é desabonadora para a saúde do Presidente. Através da combustão, o Sol enfraquece Saturno, que é o planeta significador de Bolsonaro. A configuração corresponde à casa VI do mapa natal, enaltecendo às enfermidades e a debilidade física. O ingresso de Marte no signo de Áries, que aparece na carta da posse, formando uma conjunção com o Sol natal de Bolsonaro, também é mau para a saúde, considerando que o Sol é o Hyleg da carta e Marte é um significador essencial de moléstias e cirurgias. Some-se isto ao fato do eixo nodal afetar por trânsito o ascendente natal de Bolsonaro, com o nodo norte formando uma conjunção com este ângulo, o que acena também para um possível rebaixamento da vitalidade neste momento.
Todavia, merece ressaltar que a figura de Júpiter no ascendente natal de Bolsonaro representa o Alcocoden de sua genitura. Sem aflições, deve conceder seus anos maiores de vida ao Presidente, o que lhe permite no mínimo mais quinze anos de vitalidade. Porém, cabe o alerta de que a esfera astrológica mundana se sobrepõe à natal e que movimentos desta esfera superior, principalmente aqueles que envolvem a morte induzida ou acidental de governantes, podem desrespeitar os anos de vida garantidos pelo Alcocoden da carta natal.
Outras relevantes interações envolvendo o mapa natal de Jair Bolsonaro, a carta de sua posse como Presidente e a carta de Independência do Brasil merecem ser destacadas. O ascendente natal de Bolsonaro aparece na casa III do mapa da posse presidencial, em conjunção com o nodo norte. É de se esperar grandes ações por parte de Bolsonaro em temas nacionais que envolvam a melhoria do sistema viário e dos transportes. Poderão ocorrer medidas importantes envolvendo os sistemas de comunicação no país. O modelo educacional do país, principalmente do ensino fundamental e médio, também estará na mira de profundas mudanças.
O ascendente natal de Bolsonaro corresponde à casa VI da carta de Independência do Brasil. Neste viés, podem ser esperadas ações que fomentem mudanças significativas nas relações de trabalho, nos setores público e privado. O sistema de saúde pública do país poderá passar por grandes reformas, igualmente.


Considerando que Júpiter é um significador natal que goza de bom estado cósmico, é de se esperar que tais mudanças tenham intenção e conotação positiva, ainda que possam pecar pelas ações exageradas. Cabe lembrar que Bolsonaro possui Júpiter em exaltação e em conjunção ao seu ascendente natal. Tal planeta é o Senhor das Maneiras e o Almuten Figuris de sua natividade. Ainda que tome medidas equivocadas e prejudiciais a determinados setores sociais e ao país, Bolsonaro tem a convicção pessoal de que está a fazer o certo e o bem.
O temperamento do Presidente aponta para fleumático, a despeito do que o imaginário popular possa conduzir à conclusão de que Bolsonaro possua o temperamento colérico predominante. Ainda que haja aceno de precarizações e possíveis litígios nas relações internacionais, parece que Bolsonaro não tende, prioritariamente, às atitudes precipitadas. Há uma diferença entre o ator político, que aparece à população e o indivíduo Jair Bolsonaro, que reserva as suas características singulares aos mais próximos, como a maioria das figuras públicas procede.
A Parte da Fortuna do mapa natal de Bolsonaro está posicionada no signo de Gêmeos, na casa XI. Nesta colocação, ocupa o mesmo signo que Júpiter e a Lua ocupam no mapa de Independência do Brasil. Este testemunho sinaliza apoio popular e dos poderes Legislativo e Judiciário. Vênus rege a casa IV do mapa da Independência e aspecta a Parte da Fortuna de Bolsonaro através de um sextil. Como representante do povo brasileiro, Vênus ratifica o testemunho de apoio popular e a sua ascensão ao poder.
No mapa da posse presidencial, a Parte da Fortuna está disposta na casa XI e tem na figura de Júpiter o seu senhor. No seu domicílio e em Sagitário, Júpiter assiste ao lote e confirma o apoio do Poder Legislativo a Bolsonaro. A afinidade com o Poder Judiciário é asseverada pela própria presença de Saturno, senhor da casa X da carta da posse, na casa IX. Endurecimento das leis, penalidades mais severas e moralização social através dos valores que a autoridade que toma posse como Presidente entende como corretas. Estas são intenções enfáticas de Bolsonaro.
Realizando um balanco geral da análise astrológica elaborada, pode ser afirmado que os maiores desafios de Jair Bolsonaro, como Presidente do Brasil, residem na sua própria saúde física e no perigo materializado na figura de representantes de outros estados nacionais - e que poderão ser poderosos - e também daqueles que estão no seu círculo mais próximo de assistência, com algum grau de poder agregado.
A carta da posse não apresenta eclipses, fato que sempre costuma ser nefasto para o início de qualquer governo. Embora a Lua esteja no seu final de ciclo de luz e ocupe o signo da sua queda, ocupa uma casa angular e se aplica a um planeta benéfico, que é Vênus. Ainda que esteja exilada, Vênus vai conceder, ainda que em um primeiro momento, simpatia e apoio popular. A Lua rege as massas e Vênus os aliados.
Apesar de combusto, Saturno ocupa o signo do seu domicílio e a recepção formada com o Sol ameniza a debilidade imposta pelo luminar diurno. O governo poderá ser transcorrido e concluído, havendo salvaguarda contra os maiores perigos assinalados e tendo ciência de que a popularidade e os indicadores econômicos são voláteis e mutuamente dependentes.


segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

A Sintonia Fina das Previsões

Quando analisamos um determinado ano astrológico, para o qual estão acenados eventos através da atualização da determinação dos planetas através das técnicas preditivas, geralmente ronda uma questão: quando, de fato, o evento ocorrerá? A datação de eventos não é uma tarefa fácil na Astrologia, mas existem algumas técnicas auxiliares que permitem aos estudantes e astrólogos a maior aproximação possível da data do evento. Jamais devemos esperar por uma precisão de dia e hora. Infelizmente isto raramente ocorre. Acertar o mês e a semana do evento já é algo espetacular.
Uma técnica auxiliar de extrema valia é a direção da profecção. O ascendente profectado sempre é lançado para o mesmo grau que o signo ascendente ocupava no mapa radical. Entretanto, para datar eventos, podemos dirigir este ascendente profectado, em uma razão temporal de aproximadamente um (01) grau a cada doze dias. À medida que este ascendente avança, ele encontra termos planetários distintos, bem como, pode chegar ao aspecto ou conjunção de um determinado planeta, pela sua posição revolucional ou natal. Se Júpiter promete algum evento e é regente do ano, por exemplo, temos maiores chances de realização quando, através das direções da profecção, o ascendente atravessar os termos de Júpiter. Se em sua trajetória o ascendente profectado em direção encontrar a luz do próprio planeta em questão, o testemunho favorável ao evento é ainda maior. Se houver a combinação entre o encontro da luz do planeta representante do evento e a direção pelos termos regidos pelo referido astro, teremos maior convergência ainda em favor da realização do evento prometido.
Outra técnica auxiliar bem difundida se refere à divisão do ano revolucional em sete grandes semanas, de aproximadamente 52 dias cada. Cada planeta rege um destes grandes períodos, começando sempre pelo planeta que rege o ascendente do mapa de Revolução Solar e seguindo pelos demais através da ordem caldaica. Quando o planeta assume o comando sobre a grande semana, traz a sua tônica para o período. Se for o planeta regente do ano através da Profecção ou outro astro que esteja ativado e prometa eventos, a sua grande semana é uma época propícia para a materialização de suas promessas. Esta técnica auxiliar requer a combinação com as direções da profecção para que se mostre mais efetiva, mas é sempre útil em casos de desambiguação, nos quais existe dúvida se o evento prometido ocorrerá em uma ou outra data aferida.
Os mapas de retorno lunar também são um recurso a parte quando se necessita datar os eventos. Nestes casos, deve haver a procura por padrões de repetição que deem ênfase ao planeta que prometa o evento ou que enalteça a configuração natal ou revolucional da qual se originou a previsão, proporcionando a sua atualização e datação com maior nível de precisão.
Enfim, estes são os recursos que utilizo. Existem outros. Os trânsitos não podem ser menosprezados também. Muitas vezes a sintonia fina de um evento é disparada a partir de um trânsito da Lua, principalmente por angulação tensa e em direção ao planeta promitor do evento. Seguimos em busca da perfeição e da maestria nas previsões astrológicas, embora cientes de que a tarefa é deveras complexa. Este ajuste de múltiplos ponteiros requer tempo, prática e muita paciência.



domingo, 23 de setembro de 2018

Profecção e Revolução Solar - Da Inevitável Sinergia à Eleição do Regente do Ano

Em sequência à postagem sobre a Firdaria,  abordarei a Profecção e a Revolução Solar. Estas duas técnicas preditivas formam, juntamente com a Firdaria, a tríade astrológica preditiva medieval. Comecemos então pela Profecção. Esta técnica é uma das mais simples e antigas da ciência astrológica e a sua aplicação deve ser feita em conjunto com a Revolução Solar. Na verdade, as duas técnicas são complementares e indissociáveis e pertencem à mesosfera hierárquica preditiva da Astrologia.
A Profecção, que pode ser depreendida como uma espécie de progressão, é realizada, de praxe, para o signo ascendente e possui a razão temporal de um signo avançado para cada ano de vida do nativo. Em termos práticos, se um determinado nativo possui o ascendente natal no signo de Áries, quando for completado o primeiro ano de vida, o ascendente profectado chega a Touro e assim avança sucessivamente pelos demais signos zodiacais. Outros pontos também podem ser profectados, como é o caso do meio do céu e da Parte da Fortuna. Mas, neste caso específico e devido a sua maior relevância e aplicabilidade, nos concentraremos na Profecção do ascendente natal.
A cada ano em que o ascendente se profecta e avança pelos signos do zodíaco, o Sol retorna ao mesmo grau, minuto e segundo que ocupava quando do nascimento. Quando isto ocorre, um mapa anual é gerado e recebe o nome de Revolução Solar. Esta técnica fotografa os trânsitos existentes no exato momento do regresso do Sol e realoca planetas em signos e casas astrológicas que podem ser iguais, distintos ou coincidir com a posição de outros planetas na natividade.
A Revolução Solar traz muitas informações e a filtragem é o primeiro trabalho do astrólogo ao utilizar esta técnica. É preciso aferir aquilo que realmente é importante para o nativo durante aquele ano astrológico. Sempre devemos ficar atentos à angularidade de planetas na Revolução Solar, pois nesta condição os significadores ganham poder de materialidade em termos de ocorrência de eventos.
É necessário verificar sempre os padrões de repetição que o mapa revolucional evoca no mapa natal. O astrólogo deve analisar se existem planetas que retornam as suas posições celestes ou terrestres natais no mapa revolucional, se estes astros repetem alguma configuração planetária por aspecto ou regência no mapa revolucional, bem como, se por sua localização no retorno solar ocupam o lugar que outro planeta ocupava no mapa natal. A este último fenômeno descrito damos o nome de ingresso.
A combinação da Profecção com a Revolução Solar é imprescindível. A partir da sinergia das duas técnicas astrológicas se chegará a um dos elementos mais importantes do ano astrológico para o nativo: a escolha do planeta regente do ano.
O processo de eleição do planeta regente do ano está longe de ser um tema pacificado na Astrologia e as controvérsias e discordâncias ocorrem frequentemente. Vamos supor que o ascendente profectado seja Libra. Neste caso, o planeta candidato natural a regente do ano é Vênus, pois Libra é o domicílio de Vênus.
Entretanto, outros fatores devem ser levados em consideração. Primeiramente, deve ser analisada a possível presença de planetas que ocupem o signo profectado no mapa natal. Igualmente, deve ser verificada esta mesma circunstância no próprio mapa da Revolução Solar.
Existem correntes de pensamento astrológico que aconselham que seja eleito, como planeta regente do ano, o astro que por ventura ocupe o signo ascendente profectado no mapa natal. Caso não exista nenhum planeta neste signo no mapa natal, verifica-se a presença de planetas neste signo no mapa revolucional. Caso algum planeta ocupe o signo ascendente profectado durante a Revolução Solar, ele poderá ser eleito regente do ano.
Em ambas as situações, no mapa natal e radical, haverá a possibilidade de dois ou mais planetas ocuparem o signo pelo qual a profecção do ascendente chega. Nestes casos, existem elementos de desambiguação para que o astrólogo proceda à eleição. Os planetas que estiverem mais próximos do grau ascendente profectado tem preferência, bem como, aqueles que gozam de dignidade celeste neste local e lancem, seja na natividade ou na Revolução Solar, o seu testemunho sobre o signo cuja profecção do ascendente se estabelece.
A minha opinião leva em consideração, de forma preponderante, o conceito de regência e domínio para que o planeta regente do ano seja eleito. Não concebo como admissível que um planeta que não possui relação alguma de domínio sobre o signo ascendente profectado, em pior hipótese, experimentando estado de contrariedade maior em sua posição celeste, seja pela condição de exílio ou queda, seja escolhido para governar o ano.
Lembro sempre o exemplo daqueles, que assim como eu, possuem Júpiter no signo ascendente. Pelo ciclo orbital de Júpiter, este planeta sempre estará posicionado no signo ascendente profectado ao longo de pelo menos três de seus ciclos revolucionais, aproximadamente. Considerando que existe uma tendência de haver o posicionamento de planetas natais em uma porção inferior à metade dos signos zodiacais, seria extremamente errado pensar que em mais da metade dos anos vivenciados por estes nativos Júpiter assumiria a regência do ano por ocupar o signo da profecção do ascendente, ainda que não goze de dignidade alguma neste lugar. Este exemplo é bastante contundente.
Entendo como precípua a condição de domínio sobre o signo ascendente profectado para que o astro se sagre eleito como regente do ano, sendo esta relação denotada pela regência domiciliar ou por exaltação, prioritariamente. Para efetuar a eleição em possíveis casos nos quais dois planetas postulantes a regente do ano estejam fortificados na natividade ou no retorno solar, deve ser escolhido aquele planeta que agregar o maior número de testemunhos favoráveis a sua eleição, seja pelo grau mais elevado de dignidade celeste, pela proximidade ao grau do signo ascendente profectado, pela manutenção de testemunhos ao signo ascendente profectado, ou por sua posição mais destacada nas cartas analisadas.
Exemplificando, de uma forma mais didática, o planeta regente do ano deve ser eleito com a observância dos seguintes critérios técnicos:

1 - Verifique o planeta que rege o signo ascendente profectado por dignidade celeste de domicílio;
2 - Verifique o planeta que rege o signo ascendente profectado por dignidade celeste de exaltação;
3 - Analise, no mapa natal e no retorno solar, qual dos dois planetas mencionados acima está mais fortificado, na seguinte ordem hierárquica de testemunhos:

a) O planeta ocupa o signo ascendente profectado, gozando de maior dignidade celeste nesta posição, preferencialmente;
b) O planeta aspecta o signo ascendente profectado, possuindo maior dignidade celeste em sua posição, preferencialmente;
c) O planeta faz conjunção ou aspecta o grau do signo ascendente profectado com maior exatidão, possuindo maior dignidade celeste em sua posição, preferencialmente;
d) O planeta ocupa uma casa angular ou mais fortificada do que seu concorrente;
 e) O planeta, por sua posição terrestre, está elevado acima do seu concorrente.

Para todos os itens acima elencados, deve ser dada a prioridade de ocorrência do testemunho no mapa natal e, após, no mapa revolucional. Quando o testemunho se repete em ambas as cartas astrológicas, o significador torna-se extremamente potencializado, fato este que poderá contribuir definitivamente para a sua eleição como planeta regente do ano. Em caso de testemunhos divididos, a preferência de escolha sempre recai sobre o regente domiciliar, quando comparado ao planeta que rege o signo por exaltação.
Os critérios técnicos tem o intuito de selecionar o planeta que está em melhores condições de sustentar o ano ao nativo. Apesar desta intenção, é bastante comum que nenhum dos planetas postulantes à eleição esteja em bom estado cósmico ou ainda haja a condição de aversão, isolada ou combinada, dos planetas que postulam a regência do ano, fato este que pode culminar, se não houver testemunhos favoráveis, em um mau ano para o nativo.
Ainda que eu entenda como fundamental a relação de regência sobre o signo profectado, a posição de um ou mais planetas neste signo no mapa natal ou no mapa revolucional, ainda que não gozem de dignidades neste local, sempre afetará o andamento do ano de alguma forma, conforme a natureza essencial do planeta e sua determinação radical e revolucional no período. Do mesmo modo que é dada a preferência aos planetas que regem o signo profectado por domicílio e exaltação, aqueles que são senhores de dignidades menores combinadas, caso da triplicidade e do termo, por exemplo, não podem ser desprezados se possuírem testemunhos fortes que evoquem a sua eleição em circunstâncias singulares.
A decisão final, observadas todas as particularidades astrológicas pertinentes, caberá sempre ao astrólogo. O regramento é uma ferramenta que deve auxiliar o profissional de Astrologia para proceder à eleição. Ressalto, ainda, que as regras que proponho aqui não têm a pretensão de se sobreporem a outros regramentos astrológicos já estabelecidos por outros astrólogos. A ideia aqui é semear o novo, sintetizar o saber através das minhas reflexões elaboradas durante muito tempo, sem ferir os princípios que embasam e norteiam a ciência astrológica.
Com o intuito de ampliar a didática deste procedimento de eleição, vamos a um exemplo mais prático, através da análise de uma carta natal e um mapa de Revolução Solar pertinente, com a Profecção aplicada e combinada. Segue abaixo os mapas astrológicos para avaliação:



A primeira carta apresentada é o mapa natal e a segunda se trata do mapa de Revolução Solar que tem o seu início no mês de abril de 2017, no aniversário do nativo, que é do sexo masculino. O nativo possui ascendente em Escorpião e, no ano analisado, este ascendente se profecta para o signo de Câncer, na sua trigésima segunda profecção.
Aqui já podemos vislumbrar uma interessante e poderosa sinergia, quando agregamos o estudo da Profecção com a Revolução Solar. O ascendente profectado é Câncer, mesmo signo que aparece no ascendente do mapa do retorno solar. Este testemunho acaba por elevar os temas que correspondem ao signo, casa e seus planetas regentes no mapa natal e no mapa revolucional.
Câncer ocupa a casa IX natal e não há nenhum planeta posicionado neste signo no mapa natal. No mapa de Revolução Solar, Câncer está no ângulo ascendente e não há planetas ocupando este signo zodiacal, igualmente.
O signo de Câncer tem como o seu regente domiciliar a Lua e Júpiter por exaltação. No mapa natal, a Lua está em Capricórnio e aspecta o seu signo através de uma oposição. Em Aquário, Júpiter não enxerga o signo de Câncer no mapa radical. No mapa revolucional, Lua e Júpiter formam uma conjunção no signo de Libra, na casa III, e aspectam o signo profectado através de uma quadratura.
O signo ascendente profectado ainda recebe os testemunhos do Sol, por quadratura, a partir de sua posição em Áries e na casa IX, de Vênus, através de um trígono a partir de sua colocação no signo de Peixes, na casa VIII e de Marte, desde o seu local no signo de Touro, na casa XI, sendo todas estas posições correspondentes ao mapa do retorno solar.
Sendo estes os testemunhos, vamos ao processo de eleição. Os planetas que postulam tal posição são a Lua e Júpiter. Nenhum dos dois astros ocupa o signo de Câncer, seja no mapa natal ou no mapa revolucional. Por aspectar o signo de Câncer no mapa natal e no mapa revolucional, a Lua ganha pontos a mais do que Júpiter neste momento. Júpiter aspecta o grau do signo ascendente profectado com maior exatidão. Leve vantagem para Júpiter aqui. Júpiter ocupa uma casa angular no mapa natal e uma casa cadente no mapa revolucional. A Lua ocupa em ambas as cartas uma casa cadente. Outra vantagem para Júpiter. A Lua está elevada acima de Júpiter no mapa natal e levemente mais elevada na carta revolucional acima de Júpiter. Pontos para a Lua.
Como pode ser aferido, os testemunhos levam ora a um e ora a outro astro. Não há vantagem explícita e clara. No caso apresentado, elejo a Lua como planeta regente do ano. Por se tratar do planeta regente por exaltação e agregar importantes testemunhos no processo eletivo, elejo Júpiter como planeta Co-Regente do ano. Estes dois astros trarão significância e materialidade ao ano, em termos de eventos.
A preferência pela Lua, enquanto astro eleito para governar o ano, foi calcada, observada uma disputa equilibrada pela eleição, na sua condição de regente domiciliar do signo ascendente profectado. Conforme já abordado, o planeta que possui dignidade de domicílio tem preferência sobre aquele que dignifica-se neste local por dignidade de exaltação, em disputas equilibradas.
No ano em análise, o nativo completava seus 32 anos de vida e iniciava o período da Firdaria de Marte, astro este que é o próprio planeta regente do ascendente da natividade. Marte, que no mapa radical está angular e em detrimento no signo de Touro, na casa VII, retorna ao seu signo natal e ocupa novamente uma casa angular, desta vez a casa X.
Conforme já explanado, o ascendente profectado chega à casa IX radical e este mesmo ascendente se repete no principal ângulo do mapa da Revolução Solar. A Lua, planeta regente do ano, dispõe de Marte por exaltação, no mapa natal e no mapa revolucional.
Júpiter, planeta co-regente do ano, está posicionado na casa IV natal. No mapa de retorno solar, Júpiter recebe a conjunção da Lua, sendo que ambos os planetas ocupam a casa III revolucional. Júpiter rege a casa V natal, tema este que atualiza por regência na Revolução Solar. Convém ressaltar que Júpiter rege a Parte da Fortuna no mapa natal, que está posicionada no signo de Peixes e na casa V radical.
Após aferidos os testemunhos, podem ser identificadas algumas importantes particularidades para o período em questão. A dupla ativação do ascendente, pela Profecção e pela Revolução Solar, no signo de Câncer traz elevada importância para a Lua e Júpiter durante o período. O ascendente, profectado e revolucional, em signo extremamente fértil eleva a fertilidade para o nativo. A ativação de dois astros que propiciam a geração de filhos e que versam essencialmente sobre fertilidade e crianças corrobora com a realização deste tema natal. Júpiter, ao co-reger o ano, aliar-se à Lua e atualizar a sua determinação sobre a casa V, ao regê-la no mapa revolucional, conforme o faz no mapa natal, favorece e muito a fertilidade e a geração de crianças.
No mês de maio, do referido ano, o nativo descobriu que seria pai. Este fato veio a concretizar-se no mês de março do ano subsequente, dentro do período de regência anual da Lua, com a co-regência de Júpiter.
Este frutífero período ainda reservou um outro evento muito positivo. Um pouco antes de receber a notícia de sua paternidade, o nativo foi nomeado e empossado em outro cargo público para o qual aguardava acesso, aumentando a sua renda familiar.
Marte, planeta senhor da Firdaria e regente maior do nativo, retornava a sua posição celeste radical, no signo de Touro, ocupando a casa X da Revolução Solar. De fato, o nativo agiu com muita autonomia e tomou decisões que permitiram optar por este novo emprego, ainda que o conduzisse a uma nova situação laboral, cheia de incertezas e perpassando novamente por um período probatório de estágio.
Ao ocupar o signo de exaltação da Lua, Marte significou a atitude firme no sentido de buscar o aumento da prosperidade material. A Lua, posicionada na casa II natal, fala de seu testemunho acerca das finanças. Júpiter, por sua vez, sendo um astro benéfico e senhor da Parte da Fortuna natal, acabou por materializar a melhora das condições financeiras e também a marca da sorte geral para o ano, enquanto astro benéfico maior que é.
Chega ao fim este estudo acerca da Profecção e da Revolução Solar, com a combinação essencial da Firdaria. Nesta postagem foi possível esclarecer os principais pontos que norteiam a interligação destas técnicas preditivas, que formam, conforme exposto no início deste artigo, a tríade astrológica preditiva medieval. A exposição do rito de eleição do planeta regente do ano visa o convite à reflexão deste processo, bem como, a proposição de um regramento mais acessível para estudantes e astrólogos que buscam informações sobre este tema e não obtém sucesso para encontrar artigos que lhes orientem de maneira clara e precisa. Espero ter atingido estes objetivos. Até breve leitores!