domingo, 10 de fevereiro de 2019

O Poder da Astrologia Horária

O ramo natal da Astrologia certamente é um dos mais apaixonantes. Certamente, pela capacidade de dissecar a existência humana em todas as suas esferas e nas três dimensões temporais. Contudo, é a Astrologia Horária que se destaca pela sua natureza sintética, objetiva e precisa, pronta para atender aos mais diversos problemas vivenciados por qualquer querente.
Na sexta-feira tomei a liberdade de lançar uma autoquestão, em um momento de dúvida e aflição. Se tratava do desaparecimento de minha gata, que já tem 20 anos de idade e experimenta com ênfase as debilidades físicas de sua velhice. Perguntei, então, onde estaria ela, fazendo menção ao seu nome. A questão foi lançada às 15h25min, hora local.
O mapa apresentava o ascendente no signo de Gêmeos. Vênus era o planeta regente da hora. Embora considere a natureza essencial de Vênus como fria e úmida, existe a divergência de pensamento entre diversos autores e muitos a classificam como planeta quente e úmido. Por concordar em compleição humoral com o signo ascendente, julguei o mapa como radical e passível de julgamento.
Mercúrio, planeta regente do ascendente, estava no signo de Aquário, na casa IX, nos termos de Saturno e combusto pelo Sol. Não aspectava o ascendente por angulação ptolomaica. A Lua, meu co-significador, estava posicionada no signo de Áries e aspectava o ascendente a partir de um sextil, possuindo maior propriedade para me representar na carta horária.
Marte era o planeta regente da casa VI e representava a gata de estimação perdida. Marte estava em Áries, nos termos de Saturno e na casa XI da figura. A posição do planeta regente da casa VI em domicílio acenava que ela havia se deslocado por conta própria e não havia sido levada por terceiros. A presença do significador do animal de estimação na casa XI, templo de Júpiter, forte e livre de maiores aflições, testemunhava a favor de que a gata estaria viva.


Áries fala de ambientes quentes e secos, como solos e demais estruturas aquecidas, com possibilidade de terem sido movimentados ou edificados recentemente. Em um sentido ainda mais interessante, os signos nos apontam as direções geográficas de localização do objeto pertinente à questão levantada.
Os signos de fogo estão ligados, de um modo geral, à direção leste. O primeiro grau de Áries representa o ponto cardeal leste. À medida que estes grau avançam, rumamos ao ponto subcolateral leste-nordeste. O ascendente representa a direção leste com a maior propriedade possível. O meio do céu indica a direção sul. A presença de Marte na casa XI mostrava que a gata poderia estar na direção sudeste de mim. Combinada com a posição de Marte, planeta regente da casa XI, em Áries, nos graus finais do signo, temos uma resultante final que aponta invariavelmente para o quadrante leste, a partir do local que realizei a questão.
Marte, planeta regente da casa VI, está em signo cardinal e em casa sucedente. Este testemunho combinado pelo signo e pela casa astrológica denotava que a gata não estava muito distante de casa. A posição do significador da questão em signo móvel acena para a possibilidade do animal de estimação estar em um local que possua muito movimento. Áries fala de ambientes não frequentados usualmente.
Ontem, um pouco mais de 24 horas após o levantamento da questão, a gata foi encontrada. Moro em uma avenida perimetral, dividida por um arroio de porte médio e canalizado. Ela estava na porção seca do canal, sobre pedras e relva exposta ao Sol. A via é extremamente movimentada. A gata estava realmente ao leste de onde levantei a pergunta, que era a minha residência. A localização mais precisa levava à direção leste-nordeste, estando mais afinada com a posição celeste de Marte, planeta regente da sexta casa da figura horária.
Este caso breve e particular foi de muita valia para asseverar o poder e a acurácia da técnica horária da Astrologia. Embora o evento vivido não tenha sido agradável, a questão acabou sendo respondida a contento, com o bom desfecho do reaparecimento do animal de estimação, ainda que o objeto da pergunta tenha se restringido apenas a sua localização.


sábado, 2 de fevereiro de 2019

Astrologia: Realidade, Determinismo e Possibilismo

Um interessante tema que merece a atenção de todos os astrólogos é a celeuma que envolve as dimensões determinista e possibilista na Astrologia. O primeiro princípio que devemos nos ater é de que a ciência astrológica representa e obedece à realidade. Logo, e aqui me refiro especialmente ao ramo natal da Astrologia, os mapas astrológicos espelharão realidades completamente distintas se estivermos analisando natividades pertencentes a conjunturas sociais e culturais dicotômicas, com as suas implicações econômicas próprias.
O mapa natal de um indivíduo que nasce em um país escandinavo não revelará manifestações semelhantes no plano real em comparação àquela carta natal idêntica e que espelha a natividade de um ser humano que nasceu em um país repleto de pobreza e desigualdades sociais. O próprio contexto socioeconômico mais íntimo do nativo que possui o seu mapa natal analisado precisa ser desvendado para que a interpretação astrológica possua maior grau de fidedignidade, ainda que já esteja definido o contexto social maior ao qual o indivíduo está subordinado.
A dimensão temporal e mundana se sobrepõe às particularidades natais. Logo, não é de se esperar as mesmas manifestações nos nativos que viveram em épocas distintas, com recursos tecnológicos totalmente diversos. Os grandes movimentos mundanos, que conduzem aos períodos de abundância, escassez, paz ou guerra ocupam uma esfera superior em poder e as natividades estarão determinadas ao seu contexto histórico próprio, seja por eventos naturais ou produzidos pelas sociedades através dos tempos.
Até aqui já vislumbramos a subordinação da Astrologia à realidade e as grandes determinações sob as quais todo o conjunto de natividades estará sujeito. As pequenas determinações residem em elementos imutáveis de todo e qualquer mapa natal. Não é possível escolher o corpo físico, suas características fundamentais e o temperamento. A motivação primária de vida e o propósito que temos para a nossa existência também não podem ser alterados. As nossas potencialidades natas, que conduzem à diligência e competência natural em determinadas searas da vida são bênçãos que não podem ser denegadas. As debilidades que possuímos, causando dificuldades na realização ou na vitória sobre determinados problemas específicos da vida são igualmente naturais e impassíveis diante de nossa vontade.
Mas então, onde o possibilismo encontra o seu lugar? Diante do conhecimento revelado pela Astrologia, podemos ser mais conscientes da plena caracterização vital que temos e trabalhar, através de nossas ações e da forma mais positiva possível, a nossa realidade, em conexão com o mundo material e as esferas intangíveis da existência humana
Uma bela promessa natal, sem a aplicação das justas ações por parte do nativo para a sua realização, pode se tornar inefetiva. Não por acaso recebe o nome de promessa. A sua indicação pode ser análoga a de uma imensa reserva de riquezas naturais que podem ser desperdiçadas através dos tempos. A melhor das configurações planetárias em uma previsão é como um vento que sopra forte a favor do nativo. Contudo, se a sua embarcação não estiver preparada, poderá perder tamanhas facilitações proporcionadas pelo destino.
As más sinalizações do tema natal podem ser depreendidas de forma análoga. Uma má promessa não precisa ser uma realização inexorável. Conhecer a raiz de um problema sinalizado por um significador ou por uma determinada configuração aflitiva de múltiplos significadores é salutar para possibilitar a resolução dos problemas assinalados, evitando-os ou mitigando a sua manifestação.
Se existe uma predisposição para que um nativo sofra acidentes, é necessário averiguar em quais circunstâncias estes eventos podem ocorrer e quais seriam as suas causas. O nativo deve ser aconselhado para evitá-las, principalmente quando tais promessas natais encontrem o respaldo e a atualização através das técnicas preditivas.
Enfim, existe uma justa medida entre as dimensões determinista e possibilista na vida de um nativo, materializadas na sua esfera de realidade pessoal. Comparo cada um de nós a um viajante. Não escolhemos o seu corpo ou a sua saúde. A sua mochila vem com determinados tipos de suprimentos, enquanto outros claramente não estão à sua disposição. Ele terá habilidade com algumas ferramentas, em contraponto a outras que desconhece a sua utilização. Se desejar empregar estas últimas, terá de se dedicar para se tornar um aprendiz eficiente. Se quiser conquistar os suprimentos que não possui, terá de se dedicar ainda mais para conquistá-los.
De todo modo, a estrada da vida sempre apresentará bifurcações e possibilidades de escolha. Devemos estar atentos e muito conscientes de nossas decisões para que não repitamos eternamente o nosso padrão de escolhas. O Almuten Figuris revela muito do que está por detrás de nossas decisões. Conhecê-lo em toda a sua complexidade e profundidade é imprescindível para a conscientização acerca do nosso propósito vital e de nossas ações mais importantes ao longo da vida, diante da apresentação dos maiores desafios que irão exigir uma tomada de posição e consequentes decisões.